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Japan Brief (Português)

Desenvolvimento nuclear iraniano Conselho de Segurança das Nações Unidas discute sanções adicionais

[Internacional] 2 27,2007

No dia 22 de fevereiro, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed El Baradei, submeteu um relatório ao Conselho de Segurança das Nações Unidas confirmando que o Irã ampliou as suas atividades de enriquecimento de urânio. A comunidade internacional está vendo o programa de desenvolvimento nuclear do Irã com suspeita, especialmente as suas atividades de enriquecimento de urânio, porque há a possibilidade de que tais atividades conduzam à produção de armas nucleares. Por esta razão, em 23 de dezembro último, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a primeira resolução para a imposição de sanções contra o Irã.

Tal resolução exige que o Irã suspenda completamente as suas atividades de enriquecimento de urânio e impôs sanções econômicas, incluindo um embargo do comércio de substâncias relacionadas a atividades nucleares e mísseis, baseada no Artigo 41 do Capítulo VII da Constituição das Nações Unidas. A resolução incluiu também uma cláusula que diz que se o Irã não suspender as suas atividades de enriquecimento de urânio e outras afins em um período extra de 60 dias, sanções adicionais seriam impostas.

O relatório do diretor-geral El Baradei resumiu o estado de desenvolvimento nuclear do Irã após a expiração do período de 60 dias que seguiu à adoção da resolução. Conforme o relatório, foi confirmado que o Irã ignorou a resolução do Conselho de Segurança e que continuou a ampliar as suas atividades de enriquecimento de urânio. Como resultado, o confronto entre o Irã e a comunidade internacional tornou-se ainda mais tenso, e o Conselho de Segurança inevitavelmente terá que começar discussões de âmbito abrangente objetivando sanções adicionais.

Editoriais criticam a atitude descompromissada do Irã

Os meios de comunicação japoneses mostraram-se seriamente preocupados acerca da crescente gravidade da questão nuclear no Irã. Três dos cinco periódicos com circulação nacional publicaram comentários em seus editoriais, discutindo as medidas que precisam ser tomadas tanto pelo Irã quanto pelo Conselho de Segurança para reduzir o perigo da proliferação das armas nucleares. Refletindo o ponto de vista de cada jornal, os editoriais diferiram levemente na maneira como enfatizaram seus argumentos, mas a linha comum por todos transmitida foi a de chamar a atenção para a atitude descompromissada do Irã como a razão principal da situação ter-se tornado ainda mais tensa.

O editorial do Yomiuri Simbun de 24 de fevereiro criticou o Irã duramente dizendo que "em dezembro o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou uma resolução para a aplicação de sanções contra o Irã, demandando que a república islâmica suspendesse todas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio. Embora o Irã tenha sido chamado a cumprir com a resolução dentro de 60 dias, o país recusou-se a observar a data limite... De acordo com um relatório submetido ao Conselho de Segurança pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed El Baradei, o Irã continuou a expandir, ao invés de suspender, o seu programa de enriquecimento". Pedindo fortes sanções adicionais ao Conselho de Segurança, o jornal seguiu dizendo que "o Irã ainda diz que as suas atividades de enriquecimento são para a geração de energia nuclear para propósitos pacíficos. Contudo, o relatório de El Baradei disse que é impossível para a agência supervisora nuclear das Nações Unidas determinar se a tecnologia nuclear do Irã está limitada a propósitos pacíficos porque o país não cooperou com as inspeções da agência internacional. Se o Irã não satisfizer as demandas da comunidade internacional, poucas opções serão deixadas em aberto".

O editorial de 25 de fevereiro do Nikkei conclamou o Irã a dar ouvidos à opinião internacional e a tomar uma atitude menos impulsiva, comentando que "na situação presente, os EUA basicamente desejam resolver o problema por meios diplomáticos, e os países europeus também parecem inclinados a buscar uma maneira de resolver o problema através do diálogo com o Irã. Cada vez que o Conselho de Segurança adota uma resolução e o Irã a rejeita, o nível de tensão sobe. A comunidade internacional não deseja que a tensão aumente, e nem o Irã tem interesse em uma tensão maior. O Irã, que insiste que o seu desenvolvimento nuclear é para fins pacíficos, diz que deveria ser possível resolver o problema diplomaticamente, mas se não adotar uma atitude que inspire confiança, a diplomacia não vai dar resultado".

Países envolvidos pedem calma e diplomacia no diálogo

Afinal, que medidas então, especificamente, deveriam ser tomadas pelo Conselho de Segurança? O editorial acima mencionado do Yomiuri pediu uma resposta firme dizendo "ser absolutamente imperativo que os cinco membros permanentes (do Conselho de Segurança) trabalhem juntos nesta matéria, visto que o programa nuclear do Irã está se desenvolvendo rapidamente".

Em contraste, o editorial de 24 de fevereiro do Mainichi Shimbun colocou ênfase na necessidade de formar um ambiente que conduza à solução do problema, observando que "gostaríamos de pedir aos países relacionados para evitar fazer declarações impulsivamente e tomar medidas que podem aumentar a tensão. De acordo com alguns relatos, se for confirmado que o Irã está desenvolvendo armas nucleares, ou se ficar claro que esse país está envolvido diretamente nos ataques aos militares dos EUA no Iraque, o exército dos EUA atacará o do Irã e as suas instalações relacionadas com atividades nucleares. Obviamente, os países envolvidos não confirmam esta especulação. Não há dúvida que isto está sendo usado como ameaça e para sentir a situação. Contudo, o problema do desenvolvimento nuclear do Irã deve ser resolvido no Conselho de Segurança. Exasperações fora do ringue só trarão mais confusão. O Irã deve suspender os seus atos de provocação, tais como os seus exercícios militares. Ambos os lados devem evitar a insensatez de se recusar a ceder e assim prender-se a um caminho que certamente resultará em colisão".

O editorial do Nikkei acima mencionado advertiu de maneira similar sobre um círculo vicioso no qual os lados incitam-se um ao outro, dizendo que "o presidente iraniano, Mahomoud Ahmajinejad, continua afirmando que o Irã não irá ceder à pressão das potências e que defenderá os seus direitos. Por outro lado, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, critica o Irã por cometer um erro grave e repete que os governo dos EUA não descartará opção alguma. Observadores expressam preocupação de que, se a situação continuar assim, haverá uma colisão mais cedo ou mais tarde".

Atenção às mudanças domésticas no Irã

Além do agressivo intercâmbio de palavras no palco diplomático, alguns observadores chamam também a atenção a indícios de que mudanças sutis estão ocorrendo na situação política doméstica no Irã.

Em 22 de fevereiro, o correspondente do Yomiuri em Teerã observou que as últimas declarações do presidente Ahmadinejad foram menos radicais do que as anteriores e relatou que "muitos observadores dizem que as mudanças no Irã são prova de que a pressão da resolução das sanções, o estrangulamento resultante das sanções financeiras aplicadas pelos EUA, e outras medidas começam a surtir efeito. Um jornalista iraniano comentou que os líderes estão alarmados pelas declarações radicais do presidente que tornam o ambiente mais tenso do que imaginavam e passaram a dar mais ênfase à diplomacia para acalmar a situação".

O editorial do Nikkei observou que, no Irã, mais e mais gente começou a criticar a atitude do presidente e a pedir uma política estrangeira flexível, dizendo que "os países mais poderosos deveriam observar a mudança da correnteza no Irã e continuar com os seus esforços diplomáticos sem esmorecer".

(Copyright 2007 Foreign Press Center Japan)